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Phyllis Gray on 13/5/2010
Marcus, enjoyed your adventures! Please keep looking for holes in your collection so you can travel to more places, adding more shells to your collections (and our, too). Look forward to your next adventure! Phyllis Gray




Grand Cayman
 

Uma das formas que usamos para escolher onde ir coletar é olhar a galeria de fotos de nosso site e ver quais lugares faltam ou tem poucas conchas fotografadas.

Somente tínhamos dez conchas das ilhas Cayman então pareceu uma boa escolha. Depois de checar se eu conseguiria um vôo para a semana seguinte (como sempre, planejado com bastante antecedência...) eu procurei por hotéis. Consegui um ótimo pacote que incluía as diárias e o aluguel de um carro. O problema é que eles dirigem na mão inglesa, mas um dia eu teria que arriscar. O pessoal do hotel não tinha um quarto pequeno então me ofereceram um bem maior, de frente para a praia, com duas suítes (a maior com jacuzzi), sala de estar, jantar, cozinha completa, ar condicionado central, sacadas, e Internet!

As Ilhas Cayman são um território britânico no Caribe, a sul de Cuba. Relativamente isoladas e afastadas umas das outras, as ilhas têm em Cuba e na Jamaica, 300 km a sudeste, os vizinhos mais próximos. Compreendem a Grande Cayman, Cayman Brac, e Pequena Cayman. A capital é George Town e fica em Grand Cayman, para onde eu iria.

Assim que sai da alfândega de Grand Cayman fui até a Avis para pegar o carro – fiz um seguro extra só para me garantir, peguei as chaves e fui colocar as malas naquele carrinho minúsculo depois de jogar água benta nele (brincadeira...). Depois de alguns segundos tentando pegar o cinto de segurança do lado errado, me concentrei e repeti mentalmente cem vezes “ tenho que ficar do lado esquerdo, tenho que ficar do lado esquerdo”. Os pedais ficam nas mesmas posições que o “normal”, freio de mão, marcha (automático), e espelhos também. A única coisa que me atrapalhei foi na hora de ligar o pisca – todas as vezes eu ligava o limpador de parabrisa!

Como havia uma cozinha completa eu comprei mantimentos em Miami a fim de economizar um pouco e não perder tempo dirigindo até algum restaurante. Só tive que comprar água (e cerveja...) em uma loja de conveniência do posto ao lado do hotel.

Desfiz as malas e testei se a internet funcionava bem, fazendo uma ligação para o Brasil pelo meu notebook (Skype é ótimo!). Já eram quase 5 da tarde mas eu queria mergulhar em frente para ver como o fundo era. A água era cristalina e quente, e o recife não era muito longe da praia. A corrente e as ondas pareciam ser um pouco fortes, mas isso era um bom sinal já que as conchas preferem água bem oxigenada. E bota oxigenada nisso!

Ao contrário de minhas últimas viagens o fundo era bem rico, cheio de peixe, corais e conchas! Até encontrei um Lion fish, que foi introduzido no Caribe após furacões terem destruído os tanques onde peixes ornamentais eram mantidos na Florida. Eu gosto de tirar fotos submarinas, mas tinha que resistir e procurar conchas – assim mesmo tirei algumas muito boas. Logo que entrei na água achei dois Strombus gigas – que obviamente não peguei, vários Cyphoma gibbosum, Cypraea acicularis, Mitra barbadensis e nodulosa, Arene, Pisania e outras espécies. Conforme chegava mais perto da arrebentação as ondas e a corrente ficavam mais fortes. Insisti na área porque era perfeita, cheia de pequenas pedras com conchas – mas as ondas arrebentando na minha cabeça começaram a me incomodar. Pelo menos encontrei um Conus mus! Estava escurecendo e eu não havia trazido a lanterna comigo, então voltei para o hotel.

Tomei um banho (e uma cerveja), coloquei as conchas em uma travessa, liguei o notebook e liguei para o Zé para mostrar os resultados da coleta pela webcam. Jantei e fui dormir cedo. É muito bom dormir com o barulho do mar ao invés do barulho dos carros de São Paulo....

Levantei cedo, comi o café da manhã (um biscoito) e voei para a praia. Encontrei diversas conchas logo no raso. Notei que as Cyphoma gibbosum eram muito coloridas lá – ao contrário dos outros lugares onde quase não há variação nas tonalidades. E imaginei que estas conchas devam ter um sabor horrível já que elas não se camuflam muito bem e são visíveis à distância – mesmo assim nenhum peixe as come! Posso ser curioso pelo assunto, mas eu deixo algum pesquisador mais corajoso experimentar seu sabor.

Naquela tarde fui fazer minha primeira incursão atrás de terrestres. Eu havia olhado as imagens de satélite da ilha e havia visto várias estradinhas isoladas saindo da estrada principal que corta a ilha. Isoladas? Droga, as fotos não eram atualizadas! O lugar era totalmente povoado, com a exceção de uma pequena estrada que encontrei. Estacionei embaixo de algumas árvores mas não achei nem um exemplar de Cerion morto. Continuei na estrada até chegar ao lado norte da ilha, e de lá virei à esquerda para ir até Rum Point do lado oeste. Fiquei desapontado ao saber que eles não vendiam rum lá! Hehehe, o lugar é muito agradável, cheio de restaurantes, lojinhas, onde turistas normais (ou seja, não como eu) podem alugar um caiaque ou equipamento de snorkel.

Sai de lá e dirigi na direção oposta para o lado leste (vídeo abaixo – e sim, eu estava prestando atenção na estrada...).

Achei uma estradinha que cortava a mata em direção ao mar. Era uma construção abandonada onde tratores retiraram areia e mato, empilhando em pequenos morros. Ali eu encontrei vários Cerion! Todos mortos, mas pelo menos eu sabia que eles estavam lá. Só que depois de duas horas procurando eu não achei nenhum vivo, só alguns Thiariidae em pequenas lagoas de água doce.

Voltei para o hotel e comi um miojo (o que mais?), tirei uma soneca para poder fazer um snorkel noturno. Eu devia parece um doido para os outros hóspedes, afinal o que aquele doido estava fazendo, entrando sozinho na água escura e sumindo em direção ao fundo? Eu esperava encontrar mais conchas mas praticamente não catei nada. Vi várias lagostas passeando, e percebi que já era hora de voltar quando eu comecei a vê-las dentro de uma frigideira.

Depois de acordar novamente com aquela vista “horrível” da minha sacada eu corri para a água. Embora as ondas parecerem violentas e a gerente do hotel ter me avisado que era perigoso eu decidi tentar atravessar para a parte funda (veja que agradável era mergulhar perto das ondas, abaixo).

Fui coletando pelo caminho e cheguei até onde as ondas arrebentavam com mais força. Eu afundei para escapar de uma onda mais forte e virei uma pedra no fundo. Encontrei um Conus regius muito bonito. Quando emergi outra onda enorme arrebentou na minha cabeça, me fazendo afundar no meio de muitas bolhas o que me impedia de ver onde estava sendo jogado. Estiquei meus braços (melhor quebrar o braço do que a cabeça, né?) e depois de lutar alguns minutos que pareciam horas, eu voltei para a parte mais rasa. Acho que 300 dólares é um preço justo pelo Conus, não?

Não desisti e fiquei perto da arrebentação, mas do lado raso. Eu não sei se eu já estava muito irritado depois de quase se afogar e virar parte do recife, mas a cada pedra que eu virava aparecia um milhão de peixes para comer o que havia embaixo dela. Isso começou a me irritar, pareciam mosquitos marinhos! I nadei rápido para me afastar deles e quando não vi mais nenhum eu desci e virei outra pedra – em um piscar de olhos os @¨¨#%$& peixes apareciam! Eu comecei a boiar sem mexer em pedras para ver onde os peixes iriam. Eu podia jurar que eles estavam me seguindo feito rêmoras e a cada vez que eu parava e olhava eles disfarçavam.

Naquela tarde eu dirigi até o jardim botânico Queen Elizabeth – eu não sou muito de curtir plantas (sei diferenciar árvore de arbusto), mas havia visto na internet e o lugar parecia interessante. Realmente, fiquei impressionado com a organização e variedade de plantas. Eu caminhei por uma trilha de um quilometro, pavimentada com cascalho marinho – e achei um Conus fóssil. Eu dei uma olhada discreta nas árvores procurando por terrestres, mas claro que não usei um facão para entrar na mata...

O dia seguinte seria o último para mergulhar então quis ficar na água até enquanto agüentasse. Mergulhei por quase 5 horas, sai e comi rápido, descansei meia hora e voltei para a água. Pena que eu não tinha um tanque de mergulho – demora alguns dias até que o fôlego aumente, embora o fato de eu ter parado de fumar tenha ajudado (menos na circunferência da minha cintura). Antes de sair da água eu tirei um punhado de fotos, vi uma barracuda de um metro e meio descansando na sobra de um coral e filmei algumas lulas.

Depois de uma ducha quente, coloquei uma bermuda, sandálias havaianas e sai para caminhar na praia para ver se eu encontrava algum Cerion. Eu já havia notado que ninguém passeava pela praia, mas não tinha entendido o porquê. Devo ter apertado por acidente o botão que liga o modo “ Jerry Lewis” e chutei uma pedra com o dedão. Até que não sangrou muito, não doeu tanto assim, e provavelmente ninguém entendeu os palavrões em português mesmo. Vi alguns arbustos com grama rasteira e fui checar. Aí eu entendi porque ninguém andava na praia.... tem uma semente espinhosa que queima assim que entra na pele, e amortece o local assim que sai – e estava cheio delas por toda parte! Depois de espetar os pés um monte de vezes eu desisti e voltei para o hotel para empacotar minhas coisas.

No fim eu coletei várias espécies que com certeza irão ilustrar bem nossa galeria de fotos!

 

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